Há alguns anos, um cliente me contou sobre um hábito que ele tinha.

Todo início de ano, ele anota as previsões dos principais veículos de mídia e instituições financeiras para alguns indicadores econômicos, como inflação, taxa Selic, dólar e Ibovespa.

Quando chega no final do ano, resgata essas previsões e as compara com o que realmente aconteceu.

Segundo ele, “ninguém nunca acerta”.

Ele faz esse exercício por curiosidade.

E não poderia ser diferente: você nunca deve tomar suas decisões de investimento com base em previsões de mercado.

Previsão não é plano

Previsões de mercado são, na melhor das hipóteses, exercícios intelectuais.
Na prática, não passam de adivinhações e palpites.

Normalmente vêm com argumentos bem construídos, gráficos e termos técnicos que passam uma sensação de controle.

Mas continuam sendo apenas tentativas de antecipar algo que ninguém conhece: o futuro.

Economistas, analistas e gestores são profissionais altamente capacitados.
Estudam muito, têm acesso a dados, tecnologia, modelos sofisticados e décadas de experiência.

Mesmo assim, nem eles sabem o que vai acontecer no futuro.

Já a mídia, tem outro objetivo: gerar tráfego, cliques e audiência.
E previsões chamam nossa atenção.

Não ache que eles estão preocupados em acertar o futuro, muito menos com seus objetivos financeiros.

E quando esses “palpites” realmente se concretizam, muitas vezes não é porque “previram corretamente”, mas porque fizeram muitas apostas.

É simples: quanto mais previsões alguém faz, maior a chance de alguma coincidir com a realidade.

Se você puder dar apenas um “palpite” sobre o Ibovespa para o final do ano, muito provavelmente vai errar.
Se puder dar dez, suas chances de acertar aumentam.

Lembre-se: até um relógio parado acerta a hora duas vezes por dia.

O problema não é errar. É decidir com base nisso.

Errar previsões é inevitável.
O verdadeiro problema é você tomar decisões importantes da sua vida financeira como se essas previsões fossem mapas confiáveis do futuro.

Todo começo de ano, por exemplo, é igual:

  • projeções para inflação;

  • expectativas para juros;

  • cenários para dólar e bolsa.

Alguns meses depois, surge um evento inesperado — político, econômico ou geopolítico — e tudo muda.

Foi assim no impeachment da Dilma, no “Joesley Day”, na greve dos caminhoneiros e na pandemia do COVID. Apenas para citar alguns dos episódios mais óbvios.

E ninguém que fez as previsões volta para dizer que elas estavam erradas.
Apenas fazem novas previsões.

Enquanto isso, quem tomou suas decisões com base nos palpites já perdeu tempo, oportunidades ou assumiu riscos desnecessários.

É o que normalmente acontece com quem espera o “dólar cair” para enviar dinheiro para o exterior, decide não investir porque o mercado está formando a "próxima bolha” ou decide vender bons ativos “antes da próxima crise”.

O mercado não se importa com sua expectativa

Gostamos da ideia de que é possível conhecer o futuro.

Para podermos fazer nossos planos, buscamos alguém capaz de nos dizer o que vai acontecer. Por isso somos tão atraídos por previsões.

Mas as coisas não são assim.

Primeiro porque, como já sabemos, ninguém sabe o que o futuro nos reserva.
Segundo, porque o mercado não está nem aí para nossas previsões.

A economia não se comporta de acordo com o que vemos em relatórios ou na mídia.

O dólar não vai cair só porque você quer comprar. A bolsa não vai esperar você investir para subir. O mercado não tem compromisso nenhum com o seu timing e sua expectativa.

A boa notícia é: seus objetivos financeiros não precisam — nem devem — depender dessas previsões.

📚Sugestão de leitura: Do Zero à Liberdade Financeira - qual deveria ser seu objetivo financeiro, de acordo com seu patrimônio.

Seus objetivos não precisam depender de previsões

Seu desejo de comprar uma casa não desaparece porque a inflação subiu.

O plano de se aposentar com tranquilidade não muda porque a Selic ficou acima ou abaixo do esperado.

A faculdade dos filhos e a viagem para o exterior continuam custando caro, independentemente do dólar estar a cinco, seis ou sete reais.

As pessoas querem atingir seus objetivos apesar do caminho que a economia tomar — não apenas se as previsões se concretizarem.

E aqui está um ponto que você precisa entender:

Previsões são tentativas de adivinhar cenários. Objetivos financeiros dizem respeito à sua própria vida.

São coisas completamente diferentes.

Esperar o “cenário ideal” é adiar a própria vida

Quando alguém diz:
“Não vou investir agora porque o cenário está ruim”.

Na prática está dizendo:
“Vou adiar meus planos até que o mundo fique previsível”.

Mas isso nunca acontece. O cenário perfeito só existe no retrovisor.

Quem constrói patrimônio ao longo do tempo não é quem acerta o próximo movimento do mercado.

É quem aceita que surpresas fazem parte do jogo — e se organiza para atravessá-las.

Três armadilhas de quem segue previsões

Outro enorme problema em basear suas decisões financeiras apenas em previsões de mercado é que isso costuma levar a três erros clássicos:

  1. Movimentação excessiva
    A cada nova manchete, você muda sua estratégia.
    Girar seus investimentos a todo momento só gera custos mais elevados e uma carteira desalinhada com seus objetivos.

  2. Paralisia de decisão
    Com tantas previsões, muitas vezes contraditórias, você adia qualquer tomada de decisão por medo de errar e fica eternamente esperando o “momento certo” para agir. E este momento nunca chega.

  3. Desalinhamento entre risco e objetivo

    Previsões fazem você assumir risco demais — ou de menos — e ter uma visão de curto prazo que pouco tem a ver com seus objetivos.

Nada disso é necessário.
Na verdade, todos são prejudiciais.

📚Sugestão de leitura: Por que não fazer nada pode aumentar sua rentabilidade? - artigo sobre como o giro na carteira pode ser prejudicial.

O que realmente funciona no longo prazo

Existe uma abordagem bem menos "emocionante” — e muito mais eficiente:

  • Ter clareza sobre quais são seus objetivos;

  • Tomar decisões compatíveis com esses objetivos;

  • Manter uma reserva de liquidez para imprevistos;

  • Diversificar sua carteira;

  • Conseguir se adaptar quando (não se) as surpresas surgirem.

Crises, mudanças políticas, novas tecnologias e eventos inesperados continuarão sempre acontecendo.

Quem baseia sua estratégia e suas decisões em previsões, vive reagindo atrasado — ou de forma precipitada.

Já quem baseia sua estratégia em seus próprios objetivos consegue evoluir e se adaptar sem perder o rumo.

Seu papel como investidor

Previsões podem ser interessantes para entender o que o mercado está pensando, como curiosidade ou para bater papo com amigos e colegas.

Mas não foram feitas para guiar decisões importantes da sua vida financeira.

Seu papel como investidor não é adivinhar o futuro.
É estar preparado para atingir seus objetivos independentemente do que aconteça.

Conhecer seus objetivos, tomar decisões coerentes com eles e ajustar o plano quando necessário. O resto é ruído.

Se você sente que:

  • suas decisões estão muito influenciadas por manchetes e previsões;

  • não entende como seus investimentos se conectam aos seus objetivos;

  • ou simplesmente quer ter mais clareza sobre o seu plano financeiro.

Talvez esteja na hora de estruturar suas decisões com base em um plano — não em previsões.

👉 Clique aqui para agendar uma conversa e entender se sua estratégia está realmente alinhada com seus objetivos de vida.

Gustavo Gubert, CFP®
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union

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