Início de ano é aquele momento em que todo mundo promete cuidar melhor do dinheiro, poupar mais e organizar os investimentos — mas pouca gente sabe por onde começar ou qual deveria ser seu objetivo financeiro.
É com isso que vou te ajudar na newsletter de hoje: Qual deve ser seu objetivo financeiro, de acordo com seu patrimônio atual.
A maioria dos meus clientes são pessoas e famílias que já acumularam um certo patrimônio. Mas sei que alguns que me acompanham ainda estão começando a investir, então vou falar sobre quais seriam os meus objetivos (que funcionam muito bem para a maioria das pessoas) em cada momento da vida financeira: do zero até a liberdade financeira.
Durma tranquilo primeiro, enriqueça depois
No início, meu foco seria apenas um: juntar entre 6 e 12 meses do meu custo de vida mensal e investir em um produto seguro e com liquidez para formar minha reserva de emergência.
A reserva de emergência não serve para enriquecer. Ela serve para você dormir tranquilo.
Por isso, não invente moda. Não faz sentido pensar em rentabilidade e diversificação nesse momento. Foque em aumentar sua renda, poupar o máximo que conseguir e ter sua reserva de emergência o quanto antes.
Em seguida, eu olharia imediatamente para duas coisas: meu futuro e a proteção da minha família.
Cuidar do futuro e da família não pode ficar para depois
Eu contrataria um plano de previdência privada para investir pensando na minha aposentadoria e liberdade financeira.
Este aporte seria “sagrado” — sempre no mesmo dia em que meu dinheiro entrasse na conta.
A previdência é uma ferramenta extremamente eficiente para o longo prazo: não tem come-cotas, pode chegar a apenas 10% de IR no regime regressivo e permite que você alterne entre estratégias diferentes - de renda fixa para ações, por exemplo - sem nenhum custo.
Para proteger minha família, eu contrataria um bom seguro de vida (nada de bancões aqui, ok?) para garantir a manutenção do padrão de vida da minha família por alguns anos, no caso da minha falta.
Além de coberturas para uso em vida, como invalidez, para proteger meu patrimônio caso algum acidente ou doença afete a minha geração de renda.
Depois de proteger a família e começar a cuidar do futuro, qual é o próximo passo?
Fazendo seu patrimônio (realmente) crescer
Agora começa a fase de construção de patrimônio.
Nessa etapa, o quanto você investe é mais importante do que o quanto ganha com meus investimentos.
Por isso, meu foco seria investir o máximo possível para “aumentar o bolo”.
Eu definiria um valor fixo para gastar no mês de acordo com meu custo de vida e, tudo que ganhasse além disso, destinaria aos meus investimentos (outra opção é investir, por exemplo, 20% do seu salário todos os meses).
Como eu já tenho uma reserva de emergência, iria diversificar minha carteira em diferentes estratégias de investimento e aplicar em ativos com prazos mais longos, visando aumentar meu potencial de retorno.
Usaria CDBs, LCIs e LCAs para objetivos de curto e médio prazo, títulos do governo atrelados ao IPCA para proteger meu patrimônio contra a inflação e investira em renda variável através de uma carteira de ETFs, que oferecem uma gestão indexada e ótima diversificação a um custo baixíssimo, para aumentar o potencial de retorno da minha carteira no longo prazo.
Na prática, é muito mais simples e eficiente utilizar ETFs do que ficar escolhendo ativos um a um e tentando acertar, em vão, o melhor momento de comprar ou vender.
O primeiro milhão muda as regras do jogo
Chegando ao primeiro milhão, algumas coisas começam a mudar: proteger fica mais importante que ganhar, decisões erradas começam a custar muito caro e podem colocar tudo a perder.
Por isso, elaborar um planejamento financeiro deixa de ser opcional (sempre com a ajuda de um profissional especializado).
Meu principal objetivo nessa fase seria proteger o patrimônio que eu já conquistei, sem abrir mão de rentabilidade.
Parte desse objetivo seria ter algo em torno de 20% do meu patrimônio investido no exterior, em moeda forte, longe do risco-Brasil.
Alguns investidores ainda subestimam a importância da diversificação internacional ou acham arriscado enviar dinheiro para fora do país.
No meu modo de ver, arriscado mesmo é ter 100% do patrimônio em um país que representa apenas 2% do mercado mundial, que tem uma moeda com apenas 31 anos de vida e uma inflação de quase 700% desde o início do Plano Real…
Nessa fase também aumenta a importância de olhar o patrimônio de forma global, mesmo que esteja dividido em mais de uma instituição.
Só assim é possível ter uma estratégia clara, eficiente e que evita riscos desnecessários — como ter uma exposição muito grande em uma mesma estratégia em instituições diferentes.
Liberdade financeira não é um número — é uma fase da vida
O patrimônio necessário para atingir a liberdade financeira não é um número exato — depende do padrão de vida e do objetivo de cada um.
De qualquer forma, antes desse momento chegar é importante que você se prepare para ele. Eu faria isso através de eficiência tributária e de um planejamento sucessório.
Muitos investidores olham apenas rentabilidade e deixam de lado os custos e os impostos. Esse impacto é ainda mais relevante em grandes patrimônios, podendo significar anos de rentabilidade.
Eu faria um “pente fino” na minha carteira:
Trocaria produtos caros (taxas altas) por alternativas mais eficientes e baratas;
Usaria fundos de previdência para concentrar a estratégia de multimercados, para “escapar” do come-cotas;
E, se meu objetivo fosse ter renda passiva, ajustaria minha estratégia para incluir também o recebimento de juros e dividendos isentos de IR — apenas para citar alguns exemplos.
Por fim, faria um planejamento sucessório para organizar a transmissão do meu patrimônio da forma mais rápida, tranquila e barata possível.
Custos de sucessão podem facilmente dilapidar algo próximo de 10% do patrimônio de uma família. Sem falar nos vários problemas, discussões e brigas que esse processo pode gerar entre os herdeiros.
Isso pode ser facilmente evitado, quando planejado com antecedência.
Planejamento dá direção, ação gera resultado
O objetivo de ter dinheiro não é apenas acumular números em uma conta. Ele serve para dar tranquilidade, proteger quem você ama e proporcionar liberdade para fazer as melhores escolhas ao longo da vida.
Planejar com antecedência e ter uma direção clara do que fazer em cada etapa da sua vida financeira é fundamental para atingir seus objetivos com tranquilidade e segurança.
Quem não faz isso, pode até acumular dinheiro na conta, mas vai sempre estar preocupado, se perguntando se está mesmo fazendo o que deveria e reagindo aos problemas apenas depois que eles acontecem. E isso costuma sair caro.
Mas de nada adianta fazer planos e definir objetivos se você não agir para tirá-los do papel. Ou começar, mas parar no meio do caminho.
Se, ao longo da leitura, você teve dúvidas sobre estar ou não tomando as decisões de investimento certas para seu momento de vida, ou sentiu falta de clareza e direção no seu planejamento, acho que vale termos uma conversa sobre isso.
Posso te orientar sobre qual deve ser sua prioridade no momento, identificar riscos escondidos na sua carteira de investimentos e no seu planejamento e ajustar a sua estratégia para o que realmente importa daqui para frente.
👉 Se fizer sentido para você, entre em contato pelo link abaixo para agendar uma conversa comigo, sem compromisso.
Gustavo Gubert, CFP®
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union
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