37 fundos imobiliários.
Foi o número que apareceu na minha frente durante uma análise de carteira.
Em outra carteira, eram sete fundos de renda fixa e cinco fundos multimercado. Doze fundos.
A primeira reação é pensar: “Essas carteiras estão muito diversificadas.”
Só que quantidade de investimentos e diversificação são coisas bem diferentes.
E essa confusão é mais comum do que parece.
Onze atacantes não formam um time
Imagine um time de futebol apenas com atacantes.
Onze jogadores diferentes, com números diferentes na camisa. E ainda assim, não formam um time equilibrado.
Se o jogo exigir marcação, proteção da defesa ou saída de bola, ter mais atacantes não resolve o problema. Eles podem ser ótimos jogadores individualmente, mas estão concentrados na mesma função.
Uma carteira de investimentos funciona da mesma maneira.
Você pode ter fundos diferentes, gestores diferentes e produtos diferentes, mas, se todos dependem das mesmas condições para funcionar bem, a diversificação pode ser muito menor do que parece.
De nada adianta ter 50 ações diferentes na sua carteira se o objetivo era se proteger de uma queda generalizada da bolsa, por exemplo.
Existem carteiras com mais de 30 investimentos diferentes praticamente sem diversificação. E existem carteiras com apenas 3 ou 4 produtos que, juntos, deixam a carteira bem equilibrada.
Por isso, quando analiso uma carteira, a primeira coisa que quero entender não é quantos investimentos existem, mas como ela está distribuída entre diferentes estratégias e riscos.
Quanto está em renda fixa pós-fixada? Quanto está protegido da inflação? Quanto está em renda variável? Quanto está no exterior?
Só depois dessa análise faz sentido olhar para os produtos que existem dentro de cada uma dessas estratégias.
Quem não ajuda, atrapalha
Existe ainda um segundo problema quando a quantidade de investimentos começa a crescer sem uma lógica clara: a carteira fica mais difícil de acompanhar.
São mais produtos para monitorar, mais gestores para acompanhar, mais estratégias para analisar, mais resultados para comparar…
O trabalho “extra” chega até na hora de fazer a declaração de imposto de renda.
Sem falar que a possibilidade de acabar com investimentos que fazem coisas muito parecidas é praticamente certa.
E isso acontece aos poucos.
Você encontra um investimento que parece interessante e compra. Depois lê sobre um outro que subiu bastante e investe nele também. Algum tempo depois, o assessor oferece aquela “oportunidade imperdível” e você não quer ser o único a ficar de fora.
E acaba com uma carteira cheia de posições que individualmente parecem boas, mas que, quando olhadas em conjunto, não acrescentam tanta diversificação quanto você imaginava.
O problema, portanto, não é ter muitos investimentos.
É ter muitos investimentos sem saber o que cada um acrescenta à carteira.
Uma coisa para fazer antes de escalar o próximo jogador
Se você já investe há algum tempo, abra o aplicativo do banco ou da corretora e faça um exercício simples:
01. Abra o bloco de notas do seu celular (ou uma planilha, se preferir) e liste as estratégias abaixo, uma em cada linha.
renda fixa pós-fixada;
renda fixa atrelada à inflação;
renda fixa prefixada;
multimercado;
renda variável;
investimentos no exterior;
outras categorias que façam sentido para você.
02. Depois liste todos os produtos que você tem na sua carteira abaixo da estratégia correspondente, um em cada linha.
Ação individual e fundo de ação vão para “renda variável”, assim como Tesouro Selic e fundo DI vão para “renda fixa pós-fixada”. Lembre-se que previdência privada faz parte da sua carteira. Então inclua também seus fundos de previdência, conforme a estratégia de investimento de cada fundo.
👉 Alguns bancos e corretoras já entregam essa “visão por estratégia” da sua carteira no aplicativo, o que facilita o trabalho.
03. Agora, olhe para sua carteira e faça essas perguntas:
Tenho muitos investimentos com a mesma estratégia? Ou alguma estratégia sem nenhum investimento?
Existe alguma parte importante do meu patrimônio que depende demais do mesmo tipo de cenário? Bolsa caindo, inflação acelerando, juros ou dólar subindo?
Qual a função de cada um desses investimentos na minha carteira? Estão de acordo com meus objetivos e minha realidade atual?
Se eu estivesse montando minha carteira hoje, eu investiria nestes mesmos produtos?
Se você souber responder, ótimo. Parabéns!
Se não souber, isso não significa necessariamente que você precisa vender nada. Nem que sua carteira esteja ruim. Mas vale a pena revisar sua estratégia ou, pelo menos, os investimentos que estão na sua carteira.
Esse exercício pode revelar que você tem muito mais produtos do que precisa e menos diversificação do que imaginava.
Ou pode confirmar que sua carteira já está bem construída.
O importante é sair com uma visão mais clara da carteira que você realmente tem — e não da coleção de investimentos que foi acumulando ao longo dos anos.
É exatamente esse tipo de análise que faço na consultoria: olhar a carteira como um todo, organizar a alocação de acordo com sua necessidade e avaliar se cada investimento tem uma função dentro da sua estratégia, em vez de simplesmente sair trocando produtos.
O mercado financeiro oferece produtos demais. O difícil não é encontrar bons investimentos, é decidir quais merecem estar na sua carteira.
Se você precisa de 37 produtos para construir uma carteira baseada em apenas três ou quatro estratégias, talvez não esteja diversificando tanto quanto imagina.
Pode ser que esteja apenas acumulando investimentos.
Se quiser minha ajuda para fazer essa análise na sua carteira, clique aqui e agendamos uma conversa ou apenas me responda esse e-mail.
👇🏻 Se leu até aqui, lembre de avaliar essa edição na pesquisa logo abaixo.
Se você compra 100 investimentos e todos respondem da mesma maneira a uma mudança no ambiente, você não tem diversificação.
Obrigado pela leitura!
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert




