Semana passada, lendo o livro A arte de gastar dinheiro, me lembrei de uma história bastante conhecida: a parábola do pescador mexicano.

Talvez você já tenha ouvido alguma versão dela.

Ainda assim, ela levanta uma pergunta importante:

Para que exatamente estamos tentando ganhar mais dinheiro?

Vou compartilhar a história abaixo. Vale a leitura!

No final, deixo também um exercício simples — mas bastante revelador.

A parábola do pescador mexicano

Certa manhã, um empresário que vivia correndo entre reuniões resolveu tirar alguns dias de descanso com a família em uma pequena vila de pescadores.

Nada de correria, compromissos e problemas.

Só mar, sol e silêncio.

Logo cedo, caminhando pela praia, ele viu um pescador voltando com um pequeno barco de madeira. Dentro, alguns peixes ainda frescos — claramente suficientes para o dia.

— Você pescou tudo isso agora de manhã? — perguntou o empresário.

— Pesquei — respondeu o pescador, amarrando o barco.

— E por que você não fica mais tempo no mar para pegar mais?

O pescador deu de ombros.

— Porque isso já é suficiente.

Intrigado, o empresário insistiu:

— Mas veja… se você pescasse mais, poderia vender mais peixe. Com o dinheiro extra, poderia comprar um barco maior, contratar mais pessoas, vender para restaurantes… talvez até abrir uma distribuidora.

O pescador ouviu tudo com atenção.

— Sim, entendo. E depois?

O empresário começou a se animar.

— Depois de alguns anos você poderia vender a empresa, acumular um bom patrimônio… talvez até se aposentar cedo.

O pescador perguntou:

— E o que eu faria quando me aposentasse?

O empresário respondeu com naturalidade:

— Ah… poderia acordar sem pressa, sair para pescar um pouco, tirar um cochilo depois do almoço, passar a tarde com a família, encontrar amigos no fim do dia…

O pescador sorriu.

— Mas… eu já faço exatamente isso.

O empresário ficou em silêncio.

Essa história costuma ser interpretada de um jeito um pouco simplista.
Algo como: “veja como o pescador é sábio e o executivo é um idiota” ou “o pescador está certo e o executivo errado”.

Na minha opinião, não é bem assim.

Ganhar dinheiro, construir patrimônio, investir, empreender… tudo isso é ótimo. Eu trabalho com isso todos os dias, há mais de 10 anos, e sei o quanto faz diferença na vida das pessoas.

Pra mim, o ponto central da história é outro: dinheiro é o meio, não o fim.

Dinheiro é uma ferramenta

Eu vejo o dinheiro como uma ferramenta para viver a vida que desejamos.

E, como qualquer ferramenta, ele só faz sentido quando sabemos o que queremos construir com ela.

Hoje parece que estamos sempre correndo atrás de “mais”.
Mais dinheiro.
Mais rentabilidade.
Mais patrimônio.
Mais curtidas e seguidores.
Mais reconhecimento e sucesso.

E, curiosamente, muitas vezes não paramos para perguntar mais… para quê?

Não estou dizendo que não devemos querer crescer. Pelo contrário.

Mas existe uma grande diferença entre crescer com direção e correr porque todo mundo está correndo.

Muita gente passa anos perseguindo metas financeiras que, no fundo, nem sabe muito bem por que existem.

Quer ganhar mais porque os colegas ganham.
Quer que sua carteira renda 1,1% no mês porque viu alguém dizendo que ganhou 1%.
Quer acumular patrimônio porque isso parece ser o que “pessoas bem-sucedidas” fazem.

E, sem perceber, acaba vivendo uma vida financeira baseada mais em comparação e aprovação externa do que em escolhas próprias.

Isso não é raro. Inclusive, é o padrão.

Talvez por isso tanta gente chegue em determinado momento da vida com dinheiro, patrimônio, estabilidade… e ainda assim com aquela sensação de que algo não está exatamente no lugar.

Não porque o dinheiro não ajuda. Ajuda — e muito.

Mas porque o dinheiro resolve problemas financeiros, não necessariamente falta de direção.

O objetivo é viver bem

É aqui que a história do pescador fica interessante.
O que ele tinha que muita gente não tem?

Clareza sobre a vida que ele queria.

Ele sabia como queria viver seus dias.
Sabia o que era suficiente.
Sabia o que tinha valor para ele.

Isso não significa que ele não poderia crescer, ganhar mais, expandir o negócio. Poderia.

Mas ele parecia entender algo que muita gente esquece:
o objetivo não é ter dinheiro. O objetivo é viver bem.

Quando você tem clareza sobre o tipo de vida que quer viver, as decisões financeiras ficam muito mais simples.

Não necessariamente mais fáceis — mas mais claras e óbvias.

Você sabe quanto precisa acumular.
Quanto risco faz sentido assumir.
Em que produtos é mais vantajoso investir.
Com o que vale a pena gastar.
E, principalmente, o que não vale a pena.

É exatamente por isso que planejamento financeiro, na prática, não começa com planilhas. Começa com perguntas.

Perguntas simples, mas que quase ninguém faz com calma e atenção.

Como você quer viver?
O que realmente importa na sua vida?
Qual seria a rotina ideal para você?
Que tipo de liberdade você quer ter?
O que tira seu sono hoje?

É por isso que começo o processo de planejamento financeiro com meus clientes com perguntas como essas. Não apenas com “quanto você tem”, “quanto você ganha”, “quanto você gasta”.

Planejamento financeiro não é apenas sobre números, é sobre a vida que você deseja ter agora, e no futuro.

Acaba sendo, na verdade, um planejamento de vida.

📬 Se quiser conhecer meu serviço de Planejamento de Vida Financeira, entre em contato comigo e agendamos um call rápido para eu te explicar como funciona.

O exercício de milhões!

Existe um exercício que você pode fazer para te ajudar a definir “a vida que deseja”.

É comum pensarmos que, se tivéssemos mais dinheiro na conta, nossa vida magicamente ficaria melhor.

Falamos para nós mesmos:
Se eu tivesse 1 milhão (ou 10 milhões, ou 50 milhões) eu finalmente poderia fazer tudo que eu quero.”

Portanto, te convido a fazer esse exercício.

Imagine que hoje, de alguma forma, 10, 20 ou 30 milhões de reais aparecessem na sua conta bancária.

Use um valor que você considere suficiente para garantir conforto e liberdade financeira para você e sua família. Mas que não seja também um absurdo, no nível Warren Buffett e Elon Musk.

Agora pense com calma: como seria sua vida?

Você acordaria no mesmo horário?
Realmente ia parar de trabalhar?
O que faria numa quinta-feira qualquer? Qual seria sua rotina?

Iria viajar mais? Para onde?
Com quem gostaria de passar mais tempo?

Faça essas reflexões, tentando deixar um pouco de lado a aquisição de bens materiais.

É normal que, com milhões na conta, você pense em comprar um carro melhor, uma casa maior e talvez renove o guarda-roupas. Mas vamos concordar que a empolgação que tudo isso traz dura pouco tempo.

Por isso, pense mais em como seria sua rotina do dia a dia mesmo…

Esse exercício é interessante porque revela algo importante.

A vida que muita gente imagina para si com muito dinheiro…
às vezes não é tão diferente da vida que poderia começar a construir agora.

Talvez não na mesma escala.
Talvez não com a mesma liberdade.

Mas na mesma direção.

O ponto não é romantizar uma vida simples nem demonizar ambição.
O ponto é ter consciência.
Saber por que você está fazendo tudo isso.

Quando você sabe o que está tentando construir, o dinheiro deixa de ser apenas um número crescendo na tela.

Ele vira um meio para comprar tempo, tranquilidade, liberdade de escolha.

E é justamente isso que um bom planejamento financeiro tenta fazer.

Não é sobre encontrar o investimento “perfeito” nem sobre bater o mercado todo ano.

É sobre alinhar três coisas que raramente são pensadas juntas:

  • seus recursos

  • seus objetivos

  • e o tipo de vida que você quer viver.

Quando essas três coisas começam a conversar entre si, o dinheiro passa a trabalhar a favor da sua vida — e não o contrário.

Talvez o pescador da história estivesse satisfeito exatamente onde estava. Talvez, se conversasse mais um pouco com o empresário, ele até decidisse comprar um barco maior.

Nenhuma das duas coisas estaria necessariamente errada.

O que faria diferença é saber por quê.

Não há nenhum problema em querer crescer, ganhar mais e acumular patrimônio — muito pelo contrário.

Desde que você não esqueça de perguntar, de vez em quando:

Quero mais… mas para quê?

Essa resposta, só você vai conseguir ter…

É justamente isso que tento construir com meus clientes no processo de planejamento financeiro.

Se quiser entender como ele funciona para você na prática, vale agendar uma conversa — sem compromisso.

Ou, se preferir, simplesmente me responda este e-mail:

Como seria sua rotina se você tivesse 30 milhões na conta?

Vou gostar bastante de ler essa resposta!

Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union

LEITURA RECOMENDADA

A arte de gastar dinheiro - Nota 6,5

Estava curioso com este livro, do tanto que estava sendo comentado nas redes sociais.

Realmente é uma leitura gostosa e fácil. Não é um livro técnico com jargões, planilhas e “financês”.

Sendo assim, é válida para qualquer pessoa — tendo ou não conhecimento no assunto, tendo ou não um patrimônio já consolidado.

O artigo de já hoje dá uma boa ideia sobre o que esperar do conteúdo.

O livro trás reflexões e ensinamentos sobre como usar o dinheiro como uma ferramenta para viver a vida que desejamos. Nos orientando a usá-lo com coisas que nos fazem bem de verdade, não como catapulta social ou para ganhar aprovação externa.

Quem me acompanha por aqui e no instagram sabe que compartilho desta mesma visão.

Não vai ser o melhor livro sobre dinheiro e investimentos que você vai ler na vida, mas acredito que vale a leitura.

Se quiser outra recomendação, leia o Psicologia Financeira, do mesmo autor — desse eu sou fã.
Ou, se assim como eu, você tem o hábito de comprar mais livros do que consegue ler, pode comprar o combo com os dois livros.

Aviso: lembre que minha opinião pode ser bem diferente da sua. Eu leio sobre esse assunto praticamente todos os dias há mais de 20 anos e, por isso, muita coisa que acaba não sendo novidade para mim pode ter um impacto enorme para você.

PARA REFLETIR

Você está acumulando dinheiro ou construindo uma vida rica?

Carl Richards
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