Semana passada compartilharam comigo um vídeo no meu perfil do Instagram com a pergunta:
“Isso é verdade mesmo? Devo comprar tudo em ouro?”
Em resumo, era um vídeo alertando que nós deveríamos pegar todo o nosso dinheiro e comprar ouro — o metal físico mesmo, não joias, não algum ETF no mercado financeiro.
Confesso que nem assisti até o final.
Fui direto no perfil para ver quem era a pessoa do vídeo.
Queria verificar a credibilidade da fonte e de quem estava falando. Afinal, poderia ser algum analista, especialista ou estudioso do assunto.
Não era…
Eu tinha mesmo matado a charada nos 10 primeiros segundos. O cara estava apenas vendendo ouro. E tudo indicava que se tratava de algum tipo de "esquema".
Confesso que esse tipo de abordagem me incomoda bastante.
Acho, no mínimo, irresponsável.
Fico imaginando quantas pessoas, sem ter a quem recorrer, acabam seguindo esse tipo de recomendação e colocando as economias de uma vida inteira nas mãos de alguém que nem sequer se preocupou em entender sua realidade e seus objetivos.
De todo modo, não podemos culpá-lo. É assim que ele paga as contas.
Cabe a nós usarmos o bom senso e nossas experiências passadas para saber que fazer algo assim (investir 100% do patrimônio em ouro) não faz o menor sentido.
Assim como várias outras recomendações, “alertas” e sugestões que você recebe ou vê por aí, também não fazem.
O melhor... para quem?
Em todos esses anos de mercado, já fui questionado sobre várias “recomendações” como essa.
Ora é ouro, ora ganhos garantidos de 3% ao mês, ora robôs traders que prometiam te deixar milionário com um investimento inicial de R$1 mil.
Praticamente todas (no mínimo a enorme maioria) tinham um ponto em comum:
Quem estava “recomendando” o produto ganhava dinheiro vendendo o mesmo produto.
Não me surpreende que achassem sempre a melhor opção…
Essa lógica está presente em praticamente tudo:
Quem vende consórcio, diz que consórcio é melhor do que financiamento.
Quem vende imóveis, diz que comprar um imóvel é melhor do que investir no mercado financeiro.
Quem vende seguro de vida, diz que o seguro é melhor do que previdência privada.
Quem vende camisa azul, diz que camisa azul é melhor do que camisa branca…
Não estou entrando no mérito de qual é, de fato, melhor ou pior.
Até porque isso não existe. A resposta sempre vai ser “depende”.
Mas quero que essa reflexão te traga duas lições muito importantes.
01) Não existe uma “melhor opção” para todos
O que é melhor para um, talvez não seja para o outro.
Como alguém pode te dizer que X é melhor para você do que Y se ela não sabe quem você é, qual é seu perfil, seu momento de vida, sua realidade ou seu objetivo?
Um seguro de vida, por exemplo, pode ser menos relevante para quem já acumulou um grande patrimônio e já organizou sua sucessão, e imprescindível se você ainda está na fase de acumulação e o sustento da sua família depende de você.
Assim como investir em ações pode ser ótimo para um horizonte de longo prazo ou uma péssima ideia para quem pretende usar o valor em 6 meses.
Tenha sempre isso em mente:
Qualquer recomendação financeira que não é 100% direcionada para VOCÊ e o seu caso específico, não pode ser levada a sério.
02) O melhor para quem vende, nem sempre é o melhor para você
Se uma pessoa ganha dinheiro (comissão) quando você compra o produto dela, sempre vai existir um potencial conflito de interesses.
É assim que as coisas funcionam e todo vendedor merece, sim, ser recompensado por seu trabalho.
Mas é importante que esse conflito esteja muito claro para você no momento de tomar uma decisão.
Ele pode estar presente desde as decisões mais simples, como comprar uma roupa nova, até as mais importantes da sua vida, como as decisões financeiras.
Quando você prova uma roupa nova e o vendedor diz que ficou ótima, mesmo quando você sabe que não é verdade. Há um conflito de interesse.
O vendedor não se importa se é seu estilo, se você gostou ou se a roupa caiu bem. Ele só quer que você compre — a que provou, ou qualquer outra da loja.
O mesmo acontece quando o gerente do banco recomenda que você invista em um plano de previdência privada apenas para bater a meta do mês.
Ou quando recomenda o produto que paga a maior comissão para ele, mesmo que não seja o melhor para você.
São exemplos que, infelizmente, acontecem todos os dias.
📬 Sugestão de Leitura: Se você sente que seus investimentos estão sendo “mal cuidados”, o motivo pode estar neste artigo.
Mas… você não vende investimentos?
Entendo o motivo da sua dúvida, mas a resposta é não.
Como consultor financeiro, eu não vendo nada para meus clientes.
Eu compro por eles.
E essa “pequena” diferença muda completamente a dinâmica da relação.
O gerente do banco e o assessor da corretora representam a instituição pela qual trabalham e são remunerados através de comissões embutidas nos produtos.
Portanto, para continuarem no jogo, eles precisam entregar o que a instituição pede.
Isso envolve bater metas, recomendar os investimentos que geram mais receita, pedir aquela “ajuda” para você fechar um seguro, etc.
Não me entenda mal.
Existem vários bons profissionais em bancos e corretoras. O problema é o “sistema”… mas quem está dentro, precisa seguir as regras do jogo.
Já o modelo de consultoria independente funciona de maneira bem diferente:
Quem me contrata é o cliente.
Eu trabalho para atender apenas aos interesses dele — não os da instituição financeira.Não tenho exclusividade com nenhum banco ou corretora.
Posso atender meus clientes na instituição que oferecer os melhores produtos e soluções para cada cliente — seja no Brasil ou no exterior.Não recebo nenhum tipo de incentivo de metas ou comissões embutidas. Minha remuneração é um valor previamente acordado com cada cliente — um modelo muito mais alinhado, transparente e isento de conflito de interesses.
Em outras palavras, eu não preciso tentar te “empurrar” uma roupa nova se ela não ficou boa em você. Porque eu não vendo o “produto”.
Você contrata o meu serviço e eu te aconselho se o melhor para você é comprar uma camisa branca, azul ou se você nem precisa gastar seu dinheiro neste momento, porque as camisas que você já tem no seu guarda-roupas são suficientes.
Entendeu a diferença?
A única pergunta que você deveria fazer

Na próxima vez que seu gerente ou assessor te recomendar um investimento ou solução financeira, faça uma única pergunta antes de tomar qualquer decisão:
"O que você ganha se eu seguir esse conselho?"
Muitas vezes, a resposta para essa pergunta vale mais do que a própria recomendação.
Se quiser ir ainda além, pergunte a mesma coisa para cada um dos produtos que já estão na sua carteira.
Se as respostas despertarem alguma dúvida sobre as decisões que você tem tomado com o seu patrimônio, talvez seja um bom momento para buscar uma segunda opinião.
Não necessariamente para realizar alguma mudança, mas para ter a tranquilidade de saber que suas escolhas estão alinhadas aos seus objetivos — e não aos interesses de quem está do outro lado da mesa.
É exatamente esse tipo de trabalho que faço todos os dias.
Clique aqui para entender melhor como funciona ou responda esse email para agendar uma conversa sem compromisso.
Às vezes, a decisão mais valiosa não é escolher um investimento diferente.
É escolher um conselho diferente.
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union
PARA REFLETIR
Nunca pergunte a um barbeiro se você precisa cortar o cabelo.
O que você achou da edição da newsletter de hoje?
CONSULTORIA DE INVESTIMENTOS E PLANEJAMENTO FINANCEIRO
Cuidar bem do patrimônio exige mais do que escolher bons investimentos.
Com o tempo, a vida financeira se torna mais complexa.
Investimentos, impostos, aposentadoria, sucessão, empresa, família e objetivos pessoais começam a se conectar — e decisões isoladas deixam de fazer sentido.
Meu trabalho é ajudar investidores e famílias a organizar essas decisões com mais clareza, estratégia e tranquilidade.
Sempre de forma independente, personalizada e alinhada ao longo prazo.
Fico a disposição para te explicar melhor como faço isso em uma conversa rápida.
Leia as edições passadas
Se você chegou agora por aqui, não deixe de ler as últimas edições da newsletter e os artigos gratuitos disponíveis no site.
→ Acessar os últimos artigos
Boa leitura!




