Tem uma coisa que eu gostaria que todo investidor brasileiro aprendesse:
Você não precisa perder dinheiro para ficar mais pobre.
Basta a moeda em que você guarda seu dinheiro perder poder de compra.
E é exatamente isso que vem acontecendo com o real nos últimos 30 anos.
É comum a gente ver notícias no jornal ou ouvir alguém falando que “o dólar está caro” ou que “o dólar está barato”. Mas, na verdade, o que acontece é justamente o inverso.
Não é o dólar que fica caro.
É o real que perde valor.
O real existe desde 1994, quando o Plano Real foi criado. Antes disso já foi chamado de réis, cruzeiro, cruzado, cruzado real, dentre outros (os mais “experientes” com certeza lembram).
O dólar, por outro lado, já era uma das principais moedas do mundo muito antes disso. Ele existe há mais de 200 anos.
E, mesmo quando você olha apenas para os últimos 30 anos, a diferença fica bastante clara.
Em 1994, com 100 reais você conseguia comprar 100 dólares.
Hoje, os mesmos R$ 100 não conseguem comprar nem US$ 20.
É isso mesmo, em 30 anos o real perdeu mais que 80% do seu valor frente ao dólar.
E existe uma razão para isso.
Por que o real perde tanto valor?
Historicamente, a inflação brasileira sempre foi mais alta e mais instável do que a americana.
E quando os preços sobem mais aqui do que nos Estados Unidos ao longo dos anos, nossa moeda tende a perder valor em relação ao dólar.
Além disso, entram na conta risco fiscal, instabilidade política, fluxo de capital, preço das commodities e uma série de outros fatores.
O famoso “Risco Brasil”.
Então não importa se você acredita que o Brasil vai melhorar. Se você discorda de uma decisão do governo. Ou se acha que o “dólar está caro”.
Nada disso muda uma coisa bastante simples:
Se você passar os próximos 10, 20 ou 30 anos com 100% do seu dinheiro em reais, significa que você acredita que o real vai preservar seu poder de compra em relação ao dólar e ao resto do mundo.
E eu não acho que essa seja uma boa aposta.
Isso não significa que você precisa ir correndo comprar dólar. Ou que fique tentando adivinhar quando o dólar vai “subir ou cair” (aliás, esse é um dos erros mais comuns).
O que você precisa é construir um patrimônio que não dependa exclusivamente do comportamento de uma única moeda.
E não porque você viaja para fora 1 ou 2 vezes ao ano. O dólar não serve apenas para isso.
Grande parte do que consumimos no Brasil tem alguma relação com ele. Produtos importados, tecnologia, medicamentos, máquinas, matérias-primas e até produtos aparentemente “100% brasileiros” podem ter custos ligados ao dólar.
Um estudo da FGV estima que entre 10% e 25% da cesta de consumo dos brasileiros é influenciada pelo câmbio.

Então, quando o real perde valor, não é apenas a viagem para Miami que fica mais cara.
É o seu próprio poder de compra que pode ser afetado.
Muito além de diversificação
Por isso eu vejo investimentos no exterior de uma forma diferente de simplesmente “diversificar a carteira”.
Diversificação é importante, claro. Mas existe algo ainda mais básico: não colocar toda a sua vida financeira na dependência da moeda de um único país.
Você não precisa saber quanto o dólar estará valendo daqui a cinco anos. Eu também não sei.
O que dá para saber é que, olhando para os últimos 30 anos, manter todo o seu patrimônio em reais não foi uma boa forma de preservar poder de compra em relação ao resto do mundo.
E, para mim, esse já é um motivo suficiente para ter uma parte do dinheiro investida fora do Brasil.
Se você ainda não faz isso, vale pelo menos entender se faz sentido para você e quanto deveria estar lá fora.
Se quiser conversar sobre isso, me chama aqui. É uma conversa que vale a pena ter o quanto antes.
Investir no exterior não é luxo, é uma questão de gestão de risco.
Obrigado pela leitura!
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
O que você achou da edição da newsletter de hoje?
CONSULTORIA DE INVESTIMENTOS E PLANEJAMENTO FINANCEIRO
Cuidar bem do patrimônio exige mais do que escolher bons investimentos.
Com o tempo, a vida financeira se torna mais complexa.
Investimentos, impostos, aposentadoria, sucessão, empresa, família e objetivos pessoais começam a se conectar — e decisões isoladas deixam de fazer sentido.
Meu trabalho é ajudar investidores e famílias a organizar essas decisões com mais clareza, estratégia e tranquilidade.
Sempre de forma independente, personalizada e alinhada ao longo prazo.
Fico a disposição para te explicar melhor como faço isso em uma conversa rápida.
Leia as edições passadas
Se você chegou agora por aqui, não deixe de ler as últimas edições da newsletter e os artigos gratuitos disponíveis no site.
→ Acessar os últimos artigos
Boa leitura!




