Imagine o seguinte cenário:
Você se preocupa com o futuro e decide começar a investir em um plano de previdência privada para ter uma aposentadoria digna.
Como é conservador, não pode nem pensar em perder esse dinheiro. Por isso, contrata sua previdência em um grande banco e aceita a recomendação do gerente.
Passa sua vida toda trabalhando e guardando seu suado dinheiro. Investe R$500, R$1 mil todos os meses, sem falhar.
Como você não entende muito desse assunto e confia no banco, nem se preocupa em ver o quanto está rendendo.
Afinal, como o saldo está sempre aumentando, deve estar indo bem…
Será?
A dura realidade…
Essa história não é fictícia.
Ela está acontecendo nesse exato momento com grande parte dos mais de 11 milhões de brasileiros que possuem planos de previdência privada — e talvez você seja um deles.
Recebo casos assim quase toda semana. O mais recente foi o de uma professora universitária que me procurou para ajudá-la com seus investimentos.
Ela se aposentou e queria descobrir se o patrimônio que acumulou ao longo da vida seria suficiente para manter seu padrão de vida.
Boa parte desse patrimônio — mais de R$400 mil — estava investida em planos de previdência privada, distribuído entre os fundos abaixo:
O gráfico mostra a rentabilidade dos fundos em comparação com o CDI em um período de quase 7 anos.
Para quem não gosta de gráficos, basta saber que os três fundos de previdência dela renderam muito menos do que poderiam.
O retorno poderia ter sido de 10% a 20% maior, sem correr nenhum risco adicional. Um dinheiro “extra” que com certeza seria bem-vindo nessa nova fase.
Quando soube, a cliente quis resgatar o dinheiro para aplicar em outro tipo de investimento. Provavelmente, a mesma coisa que quase qualquer pessoa faria em uma situação parecida.
Acontece que esse é o tipo de coisa que parece óbvia, mas não é.
Na verdade, resgatar sua previdência só porque ela não está rendendo bem pode ser a pior decisão a ser tomada.
Se está rendendo mal, por que não resgatar?
Porque o verdadeiro problema não era a previdência. Eram os fundos onde o dinheiro dela estava investido.
Pense na previdência como uma estrutura que permite investir em diferentes fundos. Nesse caso, os fundos escolhidos eram ruins e cobravam taxas muito altas para o retorno que entregavam.
A previdência privada, ao contrário do que muitos falam, pode ser um ótimo investimento. Em algumas situações, inclusive, melhor do que qualquer outro.
Ela pode oferecer vantagens tributárias e, dependendo da situação, também ser uma ferramenta interessante de planejamento sucessório.
E para quem investe pensando no longo prazo, existem algumas vantagens importantes em relação a outros investimentos: não há come-cotas e, no regime tributário adequado, a alíquota de IR pode chegar a 10%.
Mas ela é, por essência, um investimento de longo prazo.
Caso faça um resgate antes do prazo ideal, pode acabar perdendo boa parte da rentabilidade acumulada para os impostos.
Dependendo do tipo de plano e regime de tributação, a alíquota de IR pode variar de 35% para prazos mais curtos, até o mínimo de 10% para prazos maiores.
Essa é uma diferença significativa e o ideal, sempre que possível, é só pensar em um resgate quanto a alíquota mínima for atingida.
“Mas Gustavo, então a única saída é manter a previdência em um fundo ruim e esperar anos até que a alíquota do imposto chegue a 10%?”
Felizmente, não. Há uma alternativa melhor.
Estou “preso” na previdência?
Muito pelo contrário.
Não é porque você começou a previdência em determinado banco que ela precise ficar lá para sempre.
Você pode simplesmente fazer uma portabilidade.
Seu dinheiro sai daquele fundo ruim e vai para outro melhor — sem que você precise resgatar os recursos, pagar imposto ou ter qualquer tipo de custo adicional.
E você ainda “carrega” o prazo desde que iniciou seu plano atual. Não precisa começar a contar do zero para atingir a alíquota mínima de 10% de IR.
Pouca gente dá atenção a esse “detalhe”, mas poder mudar de fundo sem precisar resgatar o dinheiro e pagar imposto é uma das grandes vantagens da previdência.
Isso permite que você adapte sua estratégia de investimento ao longo dos anos, de acordo com o momento de mercado e sua necessidade, sem nenhum custo.
E, outras vezes, pode te salvar de situações como a da professora aposentada. A portabilidade fazia sentido no caso dela.
Depois de analisar a situação mais a fundo, recomendei que ela mantivesse os planos de previdência, mas fizesse a portabilidade para fundos melhores. Fazendo isso, ela:
Vai passar a investir esse R$400 mil em fundos de maior rentabilidade, taxas menores e mais alinhados a essa nova fase de vida.
Vai aumentar a probabilidade de manter seu padrão de vida ao longo dos anos.
Vai conseguir fazer os resgates de forma mais eficiente para pagar menos imposto, além de continuar aproveitando a ausência do come-cotas.
E ainda vai aproveitar as vantagens da previdência como ferramenta de planejamento sucessório, indicando os três filhos como beneficiários.
Se ela tivesse resgatado os recursos, por outro lado, ela poderia perder uma boa parte da rentabilidade acumulada em impostos, deixaria de aproveitar uma vantagem sucessória que pode ser importante no futuro e ainda começaria uma nova aplicação do zero — o que pode ser uma desvantagem do ponto de vista tributário.
E se a sua previdência estiver em uma situação parecida?
Cerca de 80% de todo o valor investido em previdência no Brasil estão concentrados nos cinco maiores bancos — Banco do Brasil/Brasilprev, Bradesco, Itaú, Caixa e Santander.
Ao mesmo tempo, apenas cerca de 30% dos fundos de previdência de renda fixa e multimercado conseguiram bater o CDI em um intervalo de 10 anos.
Espero sinceramente que não. Mas, pela estatística e pelo que vejo na prática com meus clientes, a chance de você estar em uma situação parecida com a da professora aposentada é grande.
Além disso, a rentabilidade é apenas uma das coisas que devem ser analisadas. Com relação a previdência privada, não existe uma solução que sirva para todos.
Tudo “depende”.
Depende dos fundos escolhidos, das taxas que você paga, do regime tributário, do prazo dos seus investimentos e, principalmente, de como aquela previdência se encaixa no restante do seu patrimônio e nos seus objetivos.
Em alguns casos, resgatar pode fazer sentido.
Na maioria, uma simples portabilidade pode ser uma solução muito melhor.
Se você não sabe se a sua previdência está bem estruturada — ou simplesmente quiser conversar sobre o seu caso — me coloco à disposição. Pode entrar em contato clicando aqui ou apenas responder este e-mail.
E não espere que o banco vá te ligar para dizer que sua previdência está ruim.
Mas pode anotar: quando você solicitar a portabilidade para outro plano, provavelmente vão entrar em contato oferecendo “algo melhor”.
Tarde demais, né?
Essa também é uma história que vejo se repetir há mais de 10 anos…
O risco vem de você não saber o que está fazendo.
Obrigado pela leitura!
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
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