Há algumas semanas tive um pequeno acidente doméstico que pode te ajudar a se tornar um investidor melhor — e também render algumas risadas…

Eu vou para a academia todo dia as 6h30. Naquele dia, já eram quase 7 horas e eu ainda estava em casa, correndo para não me atrasar ainda mais.

Acabei tropeçando no banheiro e, para não cair, me apoiei na caixa de descarga que fica acoplada no vaso sanitário.

O resultado?

O parafuso de plástico que prende a caixa no vaso quebrou.

Toda a água da caixa vazou (e mais alguns litros que continuaram saindo até eu me dar conta do que tinha acontecido e fechar o registro).

O banheiro ficou inundado.

Usei praticamente todas as toalhas e panos da casa para secar o banheiro.

E, claro, perdi o treino.

Depois de resolver a urgência, estava saindo de casa para comprar o tal parafuso quando lembrei que tenho um seguro residencial.

Abri o aplicativo da seguradora, solicitei a assistência e, poucos minutos depois, um técnico já estava na minha casa. Ele trouxe a peça, fez a troca, testou tudo e foi embora.

Todo esse processo levou em torno de 30 minutos. Foi uma experiência ótima.

Neste momento, me dei conta que eu não era apenas cliente daquela empresa. Também era sócio dela.

Essa mesma seguradora têm ações na bolsa de valores. E eu tenho uma pequena posição na minha carteira.

Isso me lembrou de um erro que vejo com muita frequência quando o assunto é investir em ações:

Você não investe na Bolsa.
Você investe em empresas.

O maior erro começa na forma como pensamos

É comum ouvir alguém dizer que investe "na Bolsa". Quase todo mundo fala isso.

Mas a “Bolsa” é apenas o ambiente onde compradores e vendedores se encontram.

Quando você compra uma ação, está comprando uma pequena participação em uma empresa.

Pode parecer um detalhe, mas ter ciência disso vai mudar completamente a forma que você investe.

Imagine que um amigo lhe oferecesse a oportunidade de comprar 10% da empresa dele por R$100 mil reais.

Antes de colocar dinheiro, você provavelmente faria várias perguntas:

  • Qual é o lucro da empresa?

  • Ela está crescendo?

  • Os clientes estão satisfeitos?

  • Possui alguma vantagem competitiva?

  • Os gestores são competentes?

  • Quais são as perspectivas para os próximos anos?

E, se chegasse a conclusão de que é um bom negócio, provavelmente seguiria sócio da empresa por décadas.

Você não venderia sua participação por um valor qualquer só porque a economia entrou em um ano ruim. Nem porque as vendas de um único mês ficaram abaixo do esperado.

Muito menos porque seu vizinho te recomendou um novo negócio que ele descobriu e disse que vai “bombar”…

Agora pense na última ação que você comprou.
Você conseguiria responder essas mesmas perguntas?

E a última vez que você vendeu uma ação… foi por que a empresa não era mais um bom negócio, ou apenas por que o preço dela na bolsa estava caindo?

Você precisa sempre se lembrar que toda ação na Bolsa representa um negócio real.

Precisa vender, tem custos para pagar, contrata pessoas e busca gerar lucro para seus acionistas.

Quando esquecemos disso, passamos a tratar ações de empresas como se fossem apenas códigos no aplicativo da corretora.

O que aumenta o risco de agirmos como especuladores, e não investidores.

Investir em empresas exige acompanhamento

Ainda assim, existe um problema neste modo de encarar o investimento em ações.

Acompanhar empresas dá trabalho. Muito trabalho.

É preciso acompanhar os resultados, ler balanços, conhecer o setor, estudar concorrentes, avaliar as decisões da gestão e verificar se a empresa continua caminhando na direção que justificou o investimento.

É exatamente isso que um sócio faria.
Mas poucas pessoas fazem.

Na prática, a maioria compra ações porque alguém recomendou, porque "parecem baratas" ou porque viu no jornal que aquela empresa está em alta.

Depois, quando o investimento não dá certo, a culpa costuma ser do mercado. Só que, muitas vezes, quem piorou foi a empresa. E o investidor simplesmente não percebeu.

Este é um dos motivos que me fazem acreditar, cada vez mais:

A maioria das pessoas não deveria escolher ações individualmente.

Um exercício de humildade

Eu trabalho com investimentos há mais de dez anos.
Invisto em ações há quase 20.
E não acompanho, profundamente, sequer algumas dezenas de empresas.

Na verdade, nem os grandes gestores fazem isso.

Nos fundos de investimento, cada equipe costuma se especializar em um número pequeno de companhias, justamente porque analisar empresas com profundidade exige tempo, conhecimento e dedicação exclusiva.

Se nem uma gestora com uma equipe de vários analistas experientes consegue acompanhar várias empresas ao mesmo tempo, como nós conseguiríamos?

Essa constatação foi um dos fatores que mudou minha forma de investir.

Em vez de tentar descobrir quais serão as melhores empresas da próxima década, prefiro reconhecer que essa é uma tarefa extremamente difícil de fazer de forma consistente.

Por isso, hoje concentro boa parte da minha exposição à renda variável em ETFs.

Eles te permitem investir em várias empresas, com ampla diversificação, custos baixos e sem depender de ter que acertar, de forma consistente, quais companhias serão as grandes vencedoras do futuro.

Isso não significa que investir diretamente em ações seja uma estratégia ruim.

Para quem gosta de analisar empresas e está disposto a acompanhá-las continuamente, pode fazer muito sentido. E nada impede de você ter uma outra empresa que você gosta e acredita na sua carteira.

Mas, para concentrar a maior parte da sua alocação em renda variável, invista utilizando ETFs.

Você vai ganhar não apenas em tempo e tranquilidade, mas provavelmente também em retorno.

Afinal, estudos no Brasil e no exterior já mostram que a rentabilidade dos ETFs no longo prazo é superior à rentabilidade de mais de 80% dos fundos de ação.

Você quer ser sócio ou ganhar dinheiro?

Antes de comprar uma ação, esqueça por um momento a dica do seu vizinho, a cotação e a manchete do dia.

Pergunte a si mesmo se você realmente gostaria de ser sócio daquela empresa por décadas.

Se a resposta for sim, lembre que seu trabalho está apenas começando: será preciso continuar acompanhando esse negócio de perto e com frequência.

Mas se sua resposta for não, ou se você simplesmente não tem tempo para fazer esse acompanhamento — como 99% dos meus clientes, investir através de ETFs pode ser uma alternativa mais inteligente e rentável.

Se você tem uma parcela relevante da carteira em ações, mas percebe que não consegue acompanhar as empresas como gostaria, talvez seja hora de rever essa estratégia.

Se fizer sentido para você, vamos conversar.

Posso te mostrar como utilizo os ETFs na construção das carteiras dos meus clientes e em quais situações eles fazem — ou não — sentido.

Clique aqui para ver como eu posso te ajudar e me mande uma mensagem.
Vou estar aguardando seu contato.

Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union

PARA REFLETIR

Saber o que você não sabe é mais importante do que ser brilhante.

Charlie Munger

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