Você sabe como as pessoas compravam e vendiam ações antes de existir a bolsa de valores?

Na Europa dos séculos XVII e XVIII, investidores negociavam títulos em cafés, ruas e escritórios, muitas vezes por meio de contratos e certificados em papel.

Esses certificados continham assinaturas dos diretores da companhia para garantir a autenticidade e, para evitar falsificações, o investidor recebia um papel timbrado com o nome da empresa, selos de cera, marcas d`água e brasões.

Para manter as “ações” em segurança, os investidores guardavam esses papéis em cofres de ferro em suas casas ou nos bancos “da época”.

Interessante, né?

Mas você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com bitcoin?

O que negociar ações no século XVII tem a ver com Bitcoin?

Certificado de ações da Trenton Electric Water Company de 1902

A maioria das pessoas acredita que o risco de investir em bitcoin - ou qualquer outra criptomoeda - é ele se desvalorizar depois que você comprar.

Isso é apenas o risco de mercado que, em diferentes proporções, está presente em qualquer tipo de investimento.

Mas existe um risco muito maior: o de perder todo o dinheiro investido.

Alguns entusiastas do “mundo das criptomoedas”, por exemplo, dizem que a maneira mais segura para os investidores guardarem suas criptos é fazer a própria custódia, por meio das chamadas “cold wallets” ou “carteiras frias”.

Neste modelo, o próprio investidor fica responsável por proteger as chaves privadas que dão acesso às criptomoedas, normalmente em um hardware sem conexão com a internet.

Na teoria, seus bitcoins ficam fora do alcance de golpistas e protegidos contra uma eventual quebra da corretora de criptomoedas que você utilizou.

Na prática — e na minha opinião — não é muito diferente de negociar ações no século XVII. Se o investidor “perde o papel”, perde também o acesso ao investimento.

Isso realmente parece seguro para você?

Eu não sou especialista em criptomoedas, mas para o investidor que quer apenas se expor à valorização do bitcoin, assumir pessoalmente a responsabilidade de custódia me parece um risco desnecessário.

Essa matéria, que relata um caso de mais de US$ 100 milhões roubados de investidores que utilizavam carteiras frias, além dos diversos casos de golpes, fraudes e quebra de corretoras de criptomoedas nos últimos anos, reforça minha preocupação.

Então não devo investir?

Se você acredita no potencial de valorização do bitcoin no longo prazo e entende os riscos envolvidos, pode fazer sentido ter uma pequena exposição ao ativo.

Meu ponto aqui não é sobre investir ou não, mas sim sobre o como investir.

Se você busca apenas exposição à valorização do bitcoin — assim como eu — a maneira mais simples de fazer isso é por meio de ETFs.

O trabalho de encontrar uma corretora confiável, aprender a operar, entender as taxas e custos e assumir a autocustódia dos ativos pode ser muito complicado para a maioria das pessoas.

Por meio dos ETFs, você não precisa abrir mais uma conta, criar mais uma senha, baixar mais um aplicativo ou assumir diretamente a custódia dos ativos.

Você pode usar a mesma estrutura que já utiliza para seus investimentos. É muito mais simples.

E nos ETFs com custódia institucional, a guarda das chaves fica a cargo de um custodiante especializado, que pode utilizar estruturas de armazenamento offline e diferentes mecanismos de segurança.

Um risco que quase ninguém percebe

E há um outro motivo que considero muito relevante, mas poucas pessoas percebem: o risco da sua família não conseguir acessar seu patrimônio em criptomoedas após sua morte.

Seus bitcoins e outros ativos digitais podem ficar permanentemente inacessíveis se sua família nem souber que você possui esses ativos ou não tiver as informações necessárias para acessá-los.

Já quando você investe por meio de um ETF listado em bolsa, o que sua família encontra é uma cota de um investimento registrado em seu nome, dentro de uma estrutura tradicional de corretora.

Isso torna a identificação do ativo e sua inclusão no processo sucessório muito mais simples do que depender da descoberta de uma chave privada.

É justamente essa combinação de praticidade e segurança que me deixa muito mais confortável para investir por meio de ETFs do que ter que “cuidar de tudo sozinho”.

O simples que funciona

A diferença entre investir em Bitcoin diretamente e investir por meio de um ETF não está apenas na forma de comprar o ativo. Está em quem assume a responsabilidade por tudo o que vem depois da compra.

Na autocustódia, essa responsabilidade é sua: proteger as chaves, fazer backups, evitar golpes, pensar em sucessão e garantir que, algum dia, sua família também consiga acessar aquilo que você acumulou. Não é necessariamente uma forma errada de investir — mas exige conhecimento e organização.

Por isso, para quem quer apenas ter exposição ao Bitcoin como parte de uma carteira diversificada, não vejo motivo para assumir toda essa complexidade.

É justamente esse tipo de decisão que faz parte do meu trabalho como consultor de investimentos: não apenas escolher investimentos, mas ajudar meus clientes a construir uma carteira que faça sentido para seus objetivos, sua vida e sua família.

Porque investir bem não é apenas escolher bons ativos. É construir uma vida financeira que faça sentido para você — em uma estrutura que continue funcionando mesmo quando você não estiver mais cuidando dela.

Clique aqui para entender melhor como funciona minha consultoria ou responda esse email para agendar uma conversa sem compromisso.

A simplicidade é a chave para o sucesso nos investimentos.

John C. Bogle

Obrigado pela leitura!
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert

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