Imagine que você recebeu um dinheiro e que vai usar esse valor em alguns meses para pagar uma viagem, dar entrada em um imóvel ou trocar de carro.
Onde você investiria esse valor até precisar usar o dinheiro?
Provavelmente você pensou em um CDB de liquidez diária, fundos de renda fixa ou no Tesouro Selic, certo?
Você não está errado…
Essas opções te oferecem segurança e liquidez, e você não quer correr o risco de não ter o valor necessário para arcar com sua obrigação.
Mas e se eu te disser que você pode estar deixando dinheiro na mesa e que há uma alternativa que pode ser mais eficiente?
Não estou falando de rentabilidade.
Nem da estratégia de investimento.
Estou falando de algo que poucas pessoas prestam atenção quando investem, mas que pode consumir boa parte da sua rentabilidade: o quanto você paga de imposto.
Quanto menor o prazo, maior o imposto
A maioria dos investimentos de renda fixa está sujeita a tabela regressiva de imposto de renda.
Isso significa que quanto menor o prazo da aplicação, MAIOR é o imposto.
A tabela regressiva funciona assim:
Se você resgatar o investimento em menos de 6 meses, paga um imposto de 22,5%;
De 6 meses a 1 ano, 20%;
De 1 a 2 anos, 17,5%;
E apenas a partir de 2 anos o imposto cai para a alíquota mínima de 15%.
Nos CDBs e no Tesouro Selic o imposto é pago apenas no momento do resgate ou no vencimento da aplicação.
Já os fundos de renda fixa possuem o chamado “come-cotas”, que nada mais é do que uma antecipação do imposto que ocorre a cada 6 meses. Além do imposto que incide no resgate do fundo — de acordo com os mesmos prazos acima.
Sem falar no IOF, que incide nos resgates feitos nos primeiros 30 dias de aplicação.
O problema disso tudo é que o imposto pode “comer” boa parte da sua rentabilidade. Principalmente se precisar do dinheiro em menos de 2 anos.
→ Na prática:
Suponha que você fez um investimento que gerou R$20 mil de lucro.
Pagando um imposto de 15%, você fica com R$17.000,00.
Mas se tiver que pagar 22,5%, sobram apenas R$15.500,00.
Perceba que o lucro do investimento é exatamente o mesmo - R$20 mil.
Mas a diferença na tributação faz com que você fique com mais dinheiro no bolso.
Mesma aplicação, mesma rentabilidade, mesmo prazo → Mas menos imposto.
A eficiência tributária te gera R$1.500,00 a mais, sem assumir mais risco por isso.
📬 Sugestão de Leitura: Se você gosta de pagar menos e ganhar mais, vai se interessar por este artigo sobre o “custo invisível” de investir sem ajuda de um consultor independente.
A alternativa? ETFs de renda fixa.
Há uma alternativa que pode funcionar melhor para objetivos de curto prazo ou para manter dinheiro em “caixa”: os chamados ETFs “smart” selic.
Esses ETFs, apesar de seguirem índices diferentes, possuem uma estratégia bem parecida.
Todos buscam acompanhar o CDI, com uma carteira composta por aproximadamente 90% em títulos do tesouro pós fixados — Tesouro Selic, e 10% em títulos do tesouro atrelados a inflação — Tesouro IPCA+, com prazos mais longos.
Eles oferecem um alto nível de segurança e liquidez, mas também proporcionam outras grandes vantagens.
01. Imposto de 15%, independentemente do prazo
A parcela aplicada em Tesouro IPCA+ com prazos mais longos faz com que a carteira desses ETFs fique com um prazo médio acima de 720 dias.
Por este motivo, eles conseguem oferecer uma alíquota fixa de 15% de imposto, independentemente do prazo da aplicação.
Se você resgata um CDB depois de 7 meses de aplicação, paga 20% de imposto.
Com os ETFs, paga apenas 15%.
Precisou resgatar o dinheiro em apenas 10 dias?
No CDB você paga 22,5% de imposto, mais o IOF.
Já os ETFs não têm incidência de IOF, e um imposto de 15%.
02. Sem come-cotas e sem data de vencimento
Eles não têm come-cotas nem data de vencimento.
Você consegue diferir o pagamento de imposto até o momento que realmente precisar do dinheiro. O que permite que os juros compostos trabalhem a seu favor.
Essa é uma vantagem que só aumenta com o tempo e que pode tornar esse veículo de investimento vantajoso também para prazos mais longos.
03. Simplicidade, segurança e custo baixo
A tarefa de escolher um produto para investir não é tão simples.
Dependendo do investimento, você precisa analisar o risco, a qualidade da gestora e dos ativos, a rentabilidade, o prazo e, é claro, o impacto dos impostos e o custo que, muitas vezes, é maior do que deveria ser.
Já os ETFs desse grupo possuem características que simplificam sua vida:
São seguros → apesar de pequenas oscilações no curto prazo, investem apenas em títulos públicos, que são considerados o investimento mais seguro do Brasil.
Não possuem data de vencimento → o imposto só incide no resgate, e você só resgata se quiser.
Têm rebalanceamento automático → não é necessário ficar se preocupando em migrar de um investimento para outro, o ETF faz isso por você.
Custo muito baixo → entre 0,15% e 0,19% ao ano.
Em resumo, eles têm uma rentabilidade que acompanha o CDI, alta segurança, liquidez em D+1 e uma alíquota fixa de 15% de imposto.
Quais ETFs têm essas vantagens?
Existem dezenas de ETFs de renda fixa no Brasil, mas nem todos oferecem estes benefícios.
Para ser considerado um ETF “smart” selic, ele precisa:
Ter a alíquota fixa de 15% de imposto (carteira com prazo médio acima de 720 dias)
Oferecer segurança e previsibilidade de retorno (investir em títulos públicos, com baixíssimo risco de crédito)
Na data em que escrevo esse artigo (15/06/2026), apenas 5 ETFs seguem essa estratégia e podem, a depender do caso, acabar sendo mais vantajosos do que outras aplicações de renda fixa.
São eles:
Cada um é de uma gestora e tem taxas, tamanho e liquidez diferentes, mas todos seguem a mesma estratégia e cumprem bem a função a que se propõe.
Alguns pequenos (mas importantes) alertas
Não funcionam como reserva de emergência
É importante dizer que o percentual de 10% da carteira em títulos atrelados a inflação faz com que o preço desses ETFs sofram pequenas oscilações no curto prazo. Por isso — e também por não ter liquidez no mesmo dia — eles não são recomendados para compor sua reserva de emergência.
Verifique o custo na sua corretora ou banco
Os ETFs são negociados em bolsa e possuem custo de corretagem, cobrado pelos bancos e corretoras. Verifique o custo na sua instituição antes de investir e avalie o quanto isso representará no seu aporte. Para valores maiores, ele se torna irrisório, mas para aportes muito pequenos pode não valer a pena.
Vale dizer que meus clientes de consultoria tem um desconto de 80% no custo de corretagem quanto faço esse tipo de operação para eles, pois atuo no modelo de consultoria independente e não recebo comissão (é cobrado apenas a parte da corretora).
Não resgate sua aplicação atual
É evidente que pagar menos imposto e reduzir custos é uma ótima maneira de aumentar o resultado dos seus investimentos.
Justamente por isso, antes de vender seu CDB de liquidez diária, Tesouro Selic ou seu fundo DI para aplicar em algum destes ETFs, verifique o quanto você pagaria de imposto se fizesse o resgate hoje.
Em alguns casos, pode ser melhor aguardar o imposto atingir a alíquota mínima de 15% para, só então, efetuar essa troca.
Mas você já pode direcionar novos aportes para o ETF de sua escolha.
Um bom investimento não resolve uma estratégia ruim
Lembre-se de que, mais importante que escolher entre um ou outro investimento, é que sua carteira de investimentos esteja alinhada aos seus objetivos e seu momento de vida.
De nada adianta escolher um bom investimento se a sua estratégia está errada.
Por isso o planejamento financeiro é tão importante para qualquer pessoa e é também a primeira etapa do meu processo de consultoria — clique aqui para conhecer melhor.
E se você gostou desse artigo e quer conhecer melhor os ETFs e entender se essa estratégia pode funcionar na sua carteira, fico à disposição.
Me mande uma mensagem e marcamos uma conversa rápida.
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union
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