Uma frase que escuto com frequência quando converso com alguém é:
"Perdi dinheiro porque o mercado caiu."
Provavelmente você mesmo já falou isso alguma vez…
A princípio, não está de todo errado. Afinal, se a Bolsa caiu, por exemplo, os ativos perderam valor e seu patrimônio diminuiu.
Mas há um erro MUITO grave escondido atrás dessa explicação.
Você só “perde” dinheiro quando vende sua posição em um momento desfavorável. Caso contrário, nada mais é que uma oscilação de mercado.
E se você precisou se desfazer de alguma boa posição em um mal momento, é porque sua carteira não foi construída para suportar essa queda.
Por isso, na maioria das vezes, o problema não é a queda do mercado.
É a falta de planejamento.
Sua carteira vai cair
Oscilações fazem parte de qualquer investimento, principalmente os de longo prazo.
Quem investe em ações, fundos imobiliários, ativos internacionais e até no Tesouro IPCA precisa aceitar uma realidade simples: em alguns momentos, a carteira vai cair.
E não estou falando de 2% ou 5%. Quedas de 10%, 20% ou até 50% fazem parte da história de praticamente todos os mercados do mundo.
Isso não significa que sua carteira é ruim ou que a estratégia falhou.
Significa apenas que o mercado está se comportando como sempre se comportou.
E não podemos culpar o mercado por algo que já sabíamos que poderia acontecer.
Portanto, a questão mais importante aqui não é sobre o mercado, é sobre você:
Por que você precisou resgatar um bom investimento em um mal momento?
Afinal:
Não conseguimos prever o comportamento do mercado, mas conseguimos prever com certa segurança em que momento pretendemos usar nosso dinheiro.
Curto prazo vs. Longo prazo
Imagine alguém que pretende trocar de carro no próximo ano ou comprar um imóvel em dois ou três anos.
Se esse recurso estiver investido em ativos sujeitos a grandes oscilações, qualquer queda relevante se transforma em um grande problema.
Não porque o investimento seja ruim, mas porque o prazo daquele objetivo não é compatível com o risco assumido naquele investimento.
Por outro lado, imagine que esse mesmo investimento faça parte de uma carteira destinada à aposentadoria daqui a 15 ou 20 anos.
A queda continua existindo, mas seu impacto psicológico muda completamente. Afinal, o objetivo continua distante e não há necessidade de vender os ativos naquele momento.
É por isso que, antes de escolher qualquer investimento, gosto de pensar em uma pergunta muito mais importante:
Quando esse dinheiro será utilizado?
A resposta costuma definir boa parte da estratégia e da escolha do produto.
→ Dinheiro de curto prazo pede previsibilidade e liquidez.
→ Dinheiro de longo prazo pode suportar mais volatilidade em busca de retornos maiores.
Quando não há essa clareza e esses dois horizontes se misturam, você passa a sofrer com oscilações que talvez nem devesse estar acompanhando.
📬 Sugestão de Leitura: Falando em curto e prazo e longo prazo, você pode gostar também deste artigo sobre a relatividade do tempo nos investimentos.
Liquidez não existe para gerar retorno
Existe uma ideia bastante comum de que todo dinheiro precisa estar permanentemente investido na melhor oportunidade disponível.
Isso leva muitas pessoas a subestimarem a importância da liquidez.
Mas essa parte do patrimônio não existe para maximizar sua rentabilidade.
Ela existe para trazer tranquilidade.
A reserva de emergência e os recursos destinados a objetivos de curto prazo cumprem uma função muito importante: impedir que você precise tomar decisões ruins em momentos ruins.
Quando a liquidez está adequada, uma queda de mercado raramente exige alguma ação. Você consegue continuar pagando suas contas, colocando seus projetos em prática e seguindo sua vida normalmente.
Quando ela não existe, qualquer oscilação pode ganhar uma importância desproporcional.
Você passa a acompanhar o mercado com ansiedade e preocupação porque sabe que pode precisar daquele dinheiro antes da recuperação acontecer.
Uma boa carteira precisa sobreviver aos momentos difíceis
Muitas pessoas acreditam que uma carteira bem construída é aquela que entrega bons resultados quando o mercado está favorável.
Eu penso diferente.
Uma carteira bem construída é aquela que continua fazendo sentido quando o cenário piora.
Se uma queda relevante obriga você a abandonar sua estratégia, vender investimentos ou adiar objetivos importantes, o problema não está no mercado.
Está na falta de um bom planejamento financeiro e de uma carteira alinhada aos seus objetivos.
Talvez você precise de mais liquidez.
Talvez esteja correndo risco demais para aquele objetivo ou para o seu perfil.
Talvez falte clareza de quais são seus objetivos e de como você precisa investir para alcançá-los com segurança.
O mercado vai continuar passando por ciclos de euforia e pessimismo.
Isso não depende de nós.
O que depende de você é construir uma estratégia capaz de atravessar esses períodos sem comprometer seus objetivos de vida.
Quando existe clareza sobre os objetivos, necessidade de liquidez e um plano claro para o futuro, as oscilações de mercado deixam de influenciar suas decisões.
E esse talvez seja o maior benefício de um bom planejamento: permitir que você continue seguindo o plano mesmo quando o mercado tenta convencê-lo do contrário.
Uma pergunta simples para refletir esta semana:
Se o mercado caísse 30% amanhã, você saberia exatamente quais investimentos poderia manter e quais objetivos continuariam protegidos?
A maioria das pessoas conhece os produtos que possui na carteira, mas não consegue explicar com clareza qual objetivo cada investimento está ajudando a construir.
E é justamente essa conexão entre patrimônio, prazo e objetivos que costuma fazer a diferença nos momentos mais difíceis.
Se você tem dúvidas sobre se sua carteira está realmente alinhada aos seus planos para os próximos anos, será um prazer conversar.
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Vou estar aguardando seu contato.
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union
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