No último final de semana fiz uma pergunta no meu perfil do Instagram:
Se você pudesse investir em uma equipe da Fórmula 1, qual seria?
A quantidade de respostas me surpreendeu.
A maioria ficou entre Mercedes e Ferrari, mas até a Alpine apareceu, como uma “aposta” de longo prazo.
Percebi que poucos dos que responderam — e que eu conheço — realmente entendem e acompanham a F1 mais de perto.
Não apenas assistem às corridas, mas também aos treinos, classificações e, alguns, até aos bastidores.
Grande parte respondeu mais como “torcedor” do que como especialista no assunto.
Podem até assistir a uma ou duas corridas no ano, mas o “conhecimento” que têm acaba vindo das notícias, redes sociais ou do que viram no documentário Drive to Survive, da Netflix.
É claro que minha pergunta foi uma brincadeira, mas me fez pensar:
Se fosse para realmente tirar R$ 10 mil do próprio bolso e investir em alguma equipe, pensando em um prazo de pelo menos 10 anos, será que as respostas seriam as mesmas?
Provavelmente não.
Quando existe dinheiro de verdade envolvido, nosso comportamento costuma mudar.
Muitas das pessoas que responderam perceberiam o quanto é difícil avaliar uma equipe de Fórmula 1.
Não basta saber quem ganhou a última corrida ou campeonato.
Você precisa entender o carro, os pilotos, a capacidade de desenvolvimento da equipe, o orçamento, os investimentos que estão sendo feitos, as mudanças no regulamento e até a capacidade dos engenheiros e dirigentes.
E, mesmo entendendo tudo isso, você ainda poderia estar errado.
Mas você sabe que não estou falando sobre F1
Quando você decide investir em ações e opta por escolher as empresas individualmente, analisando uma a uma, acontece exatamente a mesma coisa.
É muito fácil olhar para uma empresa que cresceu bastante nos últimos anos e pensar: “Essa é uma empresa excelente. Vou comprar suas ações e ficar com elas por 10 anos.”
Mas escolher uma empresa para investir é muito mais complexo do que isso.
Não basta ser uma empresa que você conhece, ouviu falar bem no jornal ou teve bons resultados recentemente.
Você precisa avaliar o preço que está pagando, a capacidade de crescimento, os concorrentes, o setor, a gestão, os riscos, as mudanças tecnológicas, o cenário econômico e uma série de outras variáveis.
E, mesmo fazendo tudo isso, ainda existe uma boa chance de sua escolha não ser a melhor. Ou de uma empresa que é boa hoje simplesmente deixar de ser em algum momento.
Toda essa complexidade acaba afastando algumas pessoas do investimento em ações. E dando prejuízo para outras.
E não pense que estou desencorajando o investimento em ações.
Na minha visão, ter exposição à renda variável pode faz muito sentido para quem busca construir patrimônio no longo prazo. É uma das principais formas de participar do crescimento das empresas e da economia ao longo do tempo.
Meu ponto aqui não é sobre ser bom ou ruim investir em ações.
É sobre como fazer isso.
E se você não precisasse escolher?
Voltando à Fórmula 1.
E se, em vez de tentar descobrir hoje qual será a melhor equipe daqui a 10 anos, você pudesse investir em várias delas?
Você não precisaria acertar antecipadamente qual será a campeã.
Mesmo que uma equipe decepcionasse, você ainda teria outras. E, se outra se tornasse a grande vencedora dos próximos anos, você estaria investido nela.
Essa é, basicamente, a lógica por trás de um ETF.
Em vez de tentar descobrir antecipadamente quais serão as melhores empresas da bolsa, você investe em uma cesta de empresas que compõem determinado índice.
Assim, você não precisa adivinhar, entre centenas de empresas, quais serão as grandes vencedoras dos próximos 10 ou 20 anos.
Também não precisa acompanhar individualmente os balanços, resultados e decisões de cada uma delas.
O próprio índice estabelece uma metodologia para definir quais empresas fazem parte da carteira e como ela deve ser ajustada ao longo do tempo.
Você não precisa saber quem vai ganhar.
Só precisa estar investido quando isso acontecer.
Isso também não significa que investir em ações individuais seja sempre errado.
Para quem realmente acompanha uma empresa, entende seu negócio, consegue avaliar seus riscos e aceita a possibilidade de errar, pode fazer sentido.
O problema é quando alguém que não tem tempo, conhecimento ou interesse para fazer esse trabalho acredita que consegue escolher, entre centenas de empresas, justamente as que serão as grandes vencedoras dos próximos 10 ou 20 anos.
É como escolher a equipe campeã da Fórmula 1 daqui a uma década olhando apenas para quem está melhor hoje.
É também importante dizer que investir em ações através de ETFs não elimina o risco.
Se o mercado todo cair, o ETF também vai.
Mas você reduz a dependência de precisar acertar uma única escolha.
E talvez essa seja uma das grandes vantagens dessa estratégia:
Por que você vai ficar procurando a agulha, se pode comprar o palheiro?
Agora pense na sua própria carteira:
Se você investe em ações, vale a pena olhar para sua carteira e se perguntar: quanto do meu resultado depende de eu ter escolhido as empresas certas?
É uma pergunta que vale mais do que parece.
Se quiser conversar sobre isso ou entender como eu uso essa estratégia na carteira dos meus clientes, clique aqui e agendamos uma conversa.
E aproveitando o assunto, fiquei curioso com qual seria a sua resposta:
Se você tivesse que escolher apenas uma equipe da F1 para colocar R$ 10 mil hoje e deixar por 10 anos, qual escolheria?
É só responder esse email me contando.
Não procure a agulha no palheiro. Compre o palheiro.
Obrigado pela leitura!
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
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