Todos nós temos dois grandes problemas na vida:
Morrer muito cedo…
ou viver tempo demais.
Costumo falar isso para meus clientes — em tom de brincadeira, é claro.
Mas o fato é que esses dois cenários podem mesmo gerar sérios problemas financeiros, para você ou sua família.
Já vi isso acontecer algumas vezes.
E tenho certeza que você também…
Curiosamente, quase ninguém trata isso como um “risco financeiro”, mas na minha visão estão entre os mais relevantes de todos.
É verdade que o quanto tempo ainda temos pela frente é algo que foge completamente do nosso controle.
Mas também é verdade que, ao menos com relação a nossa vida financeira, não só podemos como devemos estar preparados para estes dois cenários.
A renda acaba, mas as despesas continuam
Acumular patrimônio é algo que pode levar 20, 30 anos…
Quando alguém morre muito cedo, provavelmente não teve o tempo necessário para acumular patrimônio suficiente para manter sua família.
Além disso, a renda para de entrar de um dia para o outro, mas as despesas da família continuam…
Dependendo da estrutura familiar — principalmente quando há filhos ou um padrão de vida alto ou sustentado por uma única pessoa — o impacto é imediato.
O resultado?
A família é obrigada a reduzir o padrão de vida.
Cortar gastos, mudar os filhos de escola, pedir ajuda a outras pessoas… ninguém merece passar por isso em uma situação que já é emocionalmente traumática.
Patrimônio no papel não paga as contas
Existe ainda um segundo problema, que costuma ser ignorado, mas que na prática gera ainda mais dificuldade no curto prazo: a falta de liquidez.
Mesmo quando já existe patrimônio acumulado, ele nem sempre está disponível de forma imediata.
Imóveis não são vendidos rapidamente.
Investimentos podem estar travados ou mal estruturados.
E o processo de sucessão pode consumir muito tempo e dinheiro.
Na prática, isso significa que uma família pode ter um patrimônio relevante “no papel”, e mesmo assim enfrentar dificuldades para pagar despesas básicas nos primeiros meses — ou mesmo anos — após a morte.
Já vi situações em que a família tinha imóveis, aplicações financeiras e participação em empresas, mas faltava dinheiro em caixa para o dia a dia ou até para custear o próprio inventário — que pode facilmente ultrapassar 10% do valor total do patrimônio.
É um tipo de risco que não aparece em nenhuma simulação de retorno de investimento e que quase nenhum gerente ou assessor aborda — mas que é extremamente importante de ser considerado em qualquer planejamento.
A solução financeira para o pior
Durante a fase de construção de patrimônio, existe uma forma simples de lidar com esse problema: o seguro de vida.
Não como investimento, mas como uma ferramenta para resolver dois pontos:
liquidez imediata, e;
reposição de renda.
Um bom seguro permite que a família receba, em poucos dias, o valor necessário para manter seu padrão de vida até que o restante do patrimônio seja organizado e saia do processo de inventário.
Uma vida mais longa que seu bolso
Quando a gente olha para o outro extremo — viver muito — o problema se inverte.
Aqui, o risco é chegar no futuro sem recursos suficientes para sustentar o padrão de vida que você construiu.
E a maioria das pessoas subestima esse risco.
Existe uma tendência natural de assumir uma expectativa de vida menor do que a real, ou de confiar demais no retorno que seus investimentos terão no futuro.
Na prática, isso leva a decisões como poupar menos do que deveria, manter um padrão de gastos elevado demais ao longo da vida, ou assumir riscos desnecessários na tentativa de “acelerar” o acúmulo de patrimônio.
O problema é que esse tipo de erro não aparece no curto prazo.
Durante anos — às vezes décadas — tudo parece estar funcionando.
Até que, em algum momento, a conta começa a não fechar.
Quando isso acontece, as alternativas não são muito boas:
reduzir seu padrão de vida;
depender de filhos ou familiares, ou;
contar com auxílio do governo que, como sempre falo, não recomendo.
E não ache que esse é um cenário extremo.
É, na verdade, o caminho mais comum quando não existe planejamento financeiro.
Acumular patrimônio leva anos...
Diferente do primeiro caso, aqui não existe um “produto” específico que resolva o problema na hora, como o seguro de vida.
O mais próximo disso seria a previdência privada, que é uma ótima ferramenta para acúmulo de patrimônio, mas precisa de vários anos para atingir seu objetivo.
Ou seja, esse é o cenário para o qual você precisa se planejar com décadas de antecedência.
E a solução é uma só: acumular patrimônio suficiente ao longo da vida.
Para conseguir fazer isso, precisa seguir basicamente 3 pilares — bastante conhecidos, mas pouco aplicados na prática:
Disciplina para seguir seu planejamento e ter consistência nos seus aportes mensais
Tomar boas decisões de investimento ao longo dos anos
Não cometer erros por decisões de investimento baseadas na emoção (o mais difícil de todos).
Porque, no fim, os grandes erros não costumam vir da falta de conhecimento técnico.
Eles vêm de decisões mal tomadas ao longo dos anos — falta de disciplina, excesso de risco, vender na hora errada, mudanças constantes de estratégia…
📬 Sugestão de Leitura: No artigo Onde está o verdadeiro risco explico que o maior risco ao investir não está no banco ou corretora, nem no investimento que você faz...
Os opostos não se excluem
O ponto mais importante é entender que esses dois cenários — morrer cedo e viver muito — apesar de opostos, não se excluem.
Durante a fase de construção de patrimônio, o risco de morte precoce precisa estar coberto por um bom seguro de vida.
Caso contrário, deixa a sua família com um grande problema financeiro no curto prazo.
Ao mesmo tempo, ao longo dos anos, você precisa seguir seu planejamento para construir patrimônio suficiente para sustentar uma vida mais longa do que espera.
Mantendo o padrão de vida desejado e sem depender da ajuda de ninguém.
Não adianta se proteger contra um e não se planejar para o outro.
Você precisa estar preparado para os dois.
A lógica é simples — mas exige disciplina na execução.
Não dependa da sorte
Se isso não estiver organizado no seu planejamento, você está contando com a sorte.
E essa nunca é uma boa ideia.
O que você precisa é:
Estruturar um plano de sucessão eficiente, garantindo liquidez para sua família, e;
Montar uma estratégia consistente de investimento para o longo prazo.
É esse o trabalho que eu faço no planejamento financeiro: analisar esses cenários de acordo com a sua realidade e te ajudar a tomar as melhores decisões para cada um deles.
O planejamento não serve para prever o futuro.
Mas serve para evitar que um cenário previsível destrua anos de construção de patrimônio.
Se quiser organizar isso da forma correta, me mande uma mensagem.
Gustavo Gubert, CFP®
@gustavogubert
Planejador Financeiro e Consultor de Investimentos na Union
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